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Autora: Constance Sayers
Editora: Trama
Páginas: 416
Ano de publicação: Trama
Gênero: Fantasia, Romantasia
Nota Skoob: 3,9
Classificação: 16+
Gatilhos: Violência, Suicídio, Abuso sexual e psicológico, rituais demôniaco e aborto.

Sinopse: Helen Lambert viveu várias vidas: uma jovem pianista na Paris dos anos 1890, uma atriz na Hollywood dos anos 1930, uma estrela do rock da década de 1970… só que ela não sabe disso. Até que ela conhece um homem que afirma tê-la acompanhado por séculos, que diz estar ligado a ela desde sempre. Helen não acredita nele. Afinal, sua vida é tão normal quanto a de qualquer outra mulher de seu tempo, que tem sua individualidade e sua carreira. Mas seus sonhos, muito vívidos, começam a lhe trazer de volta a memória de vidas interrompidas e um amor trágico. Presa em uma maldição, Helen será forçada a reviver os mesmos eventos sinistros que arruinaram suas vidas anteriores. No entanto, cada renascimento lhe trouxe poderes sobrenaturais que ela ainda não conhece, e é com esta versão empoderada de si mesma que vai desafiar o espaço e o tempo para quebrar esse feitiço… antes que seja tarde demais.

OPINIÃO

Para começo de conversa, esse livro tem uma temática que eu estou num hiperfoco fortíssimo que é a bruxaria, bom pelo menos no título aparentava ter né?, meu segundo motivo para escolher essa leitura, é que, a julgar pelo título novamente, ele também traz a temática de viagem no tempo, que também é um cenário que me atrai bastante.

Somado a tudo isso, a narrativa da autora é extremamente fluída, tirando é claro o excesso de descrições e referências artísticas, que não é muito a minha praia, então obviamente me deu uma cansada, porém quando isso não estava acontecendo com muita frequência, eu estava completamente absorta na história, principalmente quando a gente embarcava nos sonhos/vidas passadas da Hellen.

Apesar de exageradas, as descrições são bem imersivas, nos fazendo mergulhar no plano de fundo que a autora desejou que estivéssemos, por exemplo, a vida de Juliet em Paris, ou da Nora em Hollywood / Los Angeles, e até da Sandra em outro ano de Hollywood, pra isso, a nota para autora é 10.

Outra coisa que me deixou meio embasbacada, principalmente se tratando de um livro de estreia, é a perfeição com que ela cria as personalidades dos seus personagens, mesmo se tratando da mesma pessoa vivendo vidas diferentes, a gente consegue perceber uma essência similar, porém com atitudes e pensamentos completamente diferentes. Chocante.
Também fiquei meio perplexa (eu ia dizer perplecta, porque eu amo essa palavra, mesmo que errada, mas corria o risco de ninguém aqui entender o uso kk), foi com o ritmo do livro, pois ali na primeira parte, onde a gente acompanha a primeira vida da Helen, nesse caso, a Juliet LaCompte, nós passamos muito tempo nessa história, mesmo sem perceber esse tempo passar, e o clima é muito pesado, com vários acontecimentos meio sombrios e até macabros, com referências bem descritivas de rituais quase satânicos e até cenas de violências bem incômodas de se ler, diga-se de passagem, já nas demais vidas, apesar de ter uma cena ou outra mais amarga, é incrivelmente mais fluída e simples, como se ela tivesse gasto todas as complexidades da história nessa primeira etapa sabe?
Mas nem de longe eu acho isso um problema, pois deixou tudo mais equilibrado.

- Você tem que entender que, naquela época, havia uma noção romântica do campo. Os parisienses achavam que a vida era mais simples no interior, então todos os pintores e artistas iam para lá no verão. - E era? Mais simples? - A vida não é simples em lugar nenhum, Pelo menos foi isso que já percebi"

Devo acrescentar, que eu fiquei com uma impressão de que a autora bebeu de algumas fontes que ficaram bem evidentes durante as vidas da Helen, visto que na sua segunda vida ela era uma atriz dos anos 30 de Hollywood, não pude deixar de comparar com os sete maridos de Evelyn Hugo (deu até vontade de reler), e na terceira vida nos anos 70 em Hollywood a Sandra era uma musicista montando um banda e gravando um único disco antes de tudo desandar, ou seja, vi muito de Daisy Jones and the six aqui, mesmo assim tudo caminhou para um rumo bem diferente, tendo apenas a semelhança da época e da ocupação daquela determinada vida.

Uma das minhas incomodações com a leitura foi o fato de eu não ter comprado muito bem o romance, nem o “amaldiçoado” nem o que ultrapassa as barreiras do tempo, apesar de que em uma das vidas, a da Sandra, eu fiquei bem mais propensa a encarar o passado amaldiçoado do que aquele que eu sabia que aconteceria de fato.
Aliás, essa vida em específico me irritou bastante, e não faria falta nenhuma se não estivesse no livro se dependesse apenas do meu desejo, mas não vou mentir e dizer que não faz sentido, já que ali é onde está a maior diferença nas personalidades que a gente já vinha encontrando nas outras vidas, então ok, a gente deixa passar né?
Mas nessa terceira vida eu já estava um pouco cansada da repetição dos acontecimentos, mesmo que eles não acontecessem da mesma forma nem com os mesmos gatilhos

O final deste livro é aberto, o que não costuma me incomodar muito, mas não sei se comprei os sacrifícios necessários para acabar com a maldição, até porque eu nem achava que ela era um problema assim tão grande para a vida da protagonista, uma vez que ela não sabia que estava repetindo tudo até que o Luke aparecesse na história, acho até que faria mais sentido para a história nesse quesito, se o ponto de vista do Luke fosse acrescentado à narrativa (talvez até no lugar da terceira vida da Helen), assim a gente poderia ver a agonia dele em assistir tudo aquilo por diversas vezes, e onde exatamente ele aguardava até que ela renascesse sabe?

Seria beeeeeeem mais interessante na minha opinião kkk

Num geral, é um livro que eu gostei bastante, e que eu continuei lembrando dos personagens e da história por um bom tempo depois que ela acabou, e como eu disse, me deu até vontade de ler as histórias que ela foi me lembrando no caminho.
Falando nisso, eu até achava que ele seria igual a vida invisível de Addie LaRue, livro do qual eu nunca terminei, e também fiquei com vontade de terminar depois disso.
Quem sabe até não faço um post aqui no blog, ou um vídeo no Youtube de comparação desses dois livros.

Ela tocava piano, lia os livros dados pelos professores, e tinha apenas um proposito de curto prazo: terminar a sonatina, iniciar outro livro, suportar outra refeição. Suportar era uma boa descrição. Juliet se viu simplesmente suportando. Toda manhã, ela acordava com uma sensação de vazio no peito, como se parte dela estivesse faltando.

AVALIAÇÃO

Acabei dando 4,5 estrelas, pois ele é uma mistura de várias coisas que eu gosto muito e acho que é um trabalho muito bem feito, principalmente se considerarmos que esse livro é o primeiro da autora.

Buscarei outras histórias dela, torcendo para que ela mantenha a qualidade da escrita e da narrativa dela, mas melhorando esses pontos que acho que não fizeram muito sentido aqui, quem sabe até encontrar um romance um pouco mais arrebatador do que o que temos nesta história.

Me senti até triste que esse livro não foi um grande sucesso por aqui, talvez por muita gente pensar o mesmo que eu, que ele é parecido com A vida invisível de Addie LaRue e não dar uma chance para essas 416 páginas;

Em suma, Uma Bruxa no Tempo é uma estreia muito sólida que entrega uma experiência sensorial rica, perfeita para quem gosta de narrativas não lineares e de ver a evolução de uma mesma alma através de séculos. Não é uma leitura perfeita, mas certamente deixa marcas (e muitos post-its coloridos com quotes marcantes) na gente.

Leia e tire suas conclusões, mas não esquece de voltar aqui ou nas minhas redes sociais para contar o que achou tá?

Também estou com vontade de ler outros livros sobre bruxa, para fazer um projeto no canal, qual você me indica?

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