Eu sempre gostei de comemorar aniversários porque sentia que, daqueles trezentos e tantos dias, existia um que era "exclusivamente" meu. Mesmo sabendo que outras pessoas nasceram nesse mesmo dia, ainda assim sentia que existia algo de mágico em ter um dia especial para comemorar meu nascimento. O tempo passou e nada mudou: sigo amando comemorar meu dia, mas vieram outros significados para somar a essa data. Hoje, eu adoro chegar ao final do dia 05/05 de cada ano e agradecer o imenso privilégio de continuar existindo. Mesmo que, às vezes, eu não queira tanto assim estar viva ou não tenha tantos motivos para comemorar, ainda assim consigo enxergar uma nova página em branco na minha frente, com 365 novas linhas onde eu posso escrever a história que eu bem entender

Nesse 05/05 em específico, pensei bastante em como tenho deixado para depois essa história de viver... A rotina da vida adulta tem me consumido e tudo o que eu mais desejo, ao final do meu dia, é um bom banho quente e deitar na minha cama para aguentar o próximo dia. É como se eu estivesse sempre esperando por algo, para quando eu tiver um tempo de respirar e assimilar as coisas, sabe? Mas me dei conta de que a vida não espera; ela acontece a todos os segundos, minutos e horas de cada dia, e eu não vou ter tempo de assimilar, organizar ou fazer uma lista para só então segui-la e aí começar a viver.

Não dá para ficar sentada na estação vendo todos os trens passarem enquanto eu pesquiso em qual rumo cada um vai levar. Existe um trem só meu, com a minha jornada, no qual eu já estou sentada — e olhando para qualquer lugar que não seja a janela, vendo qualquer outra coisa que não seja a minha vida passando.

É clichê falar, mas aquela música que diz que "a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir" é muito real.

Eu penso com mais frequência do que gostaria na morte, mas não na minha; penso na dos meus pais. Assistir a eles perderem a vitalidade, a jovialidade e, principalmente, o desejo pela vida, tem sido a coisa mais triste que eu já presenciei. É quando a gente percebe que envelheceu, que viramos adultos e que agora é nossa responsabilidade garantir que eles tenham tudo de que precisam para uma vida confortável.

Então, hoje eu resolvi que meu aniversário seria com eles, e sei que serei eternamente grata a mim mesma, no futuro, por ter tomado essa decisão.
Outra decisão que tomei é retomar a vontade de fazer metas. Pensei naquela "famosinha" da internet de uns anos atrás, quando tudo isso aqui era mato e os blogs como este estavam em alta.

Daí então surgiu a "35 antes dos 35", que é a próxima idade marcante que farei (e porque eu simplesmente não consigo pensar em metas que dê para cumprir em 12 meses, então "34 antes dos 34" não era viável). Como uma das coisas que eu tinha largado para depois era este blog, resolvi que vou compartilhar aqui, como se fosse um blog pessoal mesmo, todas essas minhas vontades loucas e esses registros de lapsos de vida. Sendo assim, o próximo post é justamente sobre os "35 antes dos 35" e suas respectivas etapas (porque, apesar de não ter nada de Virgem no meu mapa, eu sou uma pessoa extremamente metódica).

Enfim, sinto que falei, falei, falei e não cheguei a conclusão nenhuma. Mas eu só queria desabafar mesmo e falar sobre tudo o que passava na minha mente no momento em que cheguei à casa dos 33 anos. Quem sabe eu não olhe para isso aqui na minha próxima renovação de ciclo e crie essa nova rotina de aniversários? Que, até o momento, consiste em depositar a minha wishlist da Amazon por WhatsApps por aí (link aqui para vocês também), passar o dia com quem eu amo e pedir folga do meu trabalho se for um dia útil.

E você, o que faz no dia do seu aniversário? Fiquei curiosa para conhecer as rotinas de aniversário das outras pessoas.