Se você esteve minimamente online no primeiro mês de 2026, você provavelmente se deparou com algum post nostálgico, de um carrossel de fotos com músicas de 2016. Aparentemente foi o melhor ano de muita gente.
Mesmo eu que não sou de entrar em trends, aderi a esta, afinal, quem resiste a uma nostalgia?

Acontece que em 2016, apesar das redes sociais já nos sugarem boa parte do tempo, nós não vivíamos em função do celular como hoje, então muitos de nós temos fotos que nunca foram publicadas, memórias que nem sequer existem registros comprometedores, e só existem na nossa cabeça.
Isso sem mencionar ter sido um ano onde a política ainda nao tinha nos separado tanto, e um dos melhores pré pandêmicos.

Então , banhada por essa onda de saudade, me vendo mais jovem e mais magra, me surgiram algumas dúvidas, sobre onde eu estaria se, naquela época, eu tivesse seguido sonhos que tenho até hoje.
Como a criação de conteúdo por exemplo (seja em texto ou em vídeo), e claro, se eu tivesse investido numa carreira ou até no exercício físico, onde e como será que eu estaria?

Ao mesmo tempo, surge o aprendizado, de que 10 anos passam voando, e onde eu quero estar nos 10 próximos?

Será que ainda estarei escrevendo um texto entre uma estação e outra enquanto o trem esvazia e enche de novo? Ou pensando em conteúdos que posso escrever/gravar entre uma demanda e outra do trabalho, entre uma reunião que poderia ter sido um email ou uma interação forçada com pessoas que eu jamais conviveria se não fosse a obrigação de estar presencial todos os dias, mesmo que para fazer um trabalho que eu poderia tranquilamente entregar de qualquer outro lugar, mas preciso enfrentar duas horas de trabalho para provar que estou 100% dedicada a isso mesmo quando não tenho demanda pra tanto tempo desperdiçado.

O pior de tudo é saber que estou em situação melhor que a grande parte da população e talvez nem tenha tanto direito de reclamar assim.

Dez anos se passaram entre 2016 e 2026, e eles serviram pra tirar um pouco do encanto que eu tinha pelo mundo, talvez por isso essa trend tenha sido uma das únicas que me encheu os olhos, porque entre selecionar as fitos que iriam para o feed, eu tive que olhar meu ano inteiro de uma década atrás, e reviver cada bom momento, me encontrar com aquela minha versão mais nova que sonhava tanto e sentir até um pouco de inveja da inocência, da falta de malícia e do olhar esperançoso dela para com o universo.

Hoje venho aqui retomar um pouco desse sentimento, criando meu espacinho na internet, não na plataforma que o algoritmo manda, mas na minha casinha, sob as minhas regras, sem nicho específico mas com o que me der vontade de compartilhar.

Assim como eram os blogs de 2016, de onde surgiram as famosas blogueiras, que hoje já nem fazem mais jus a palavra de origem, que trabalham para o algoritmo e para nos prender cada vez mais em aplicativos que nos adoecem, fazendo a roda do capitalismo girar, nos influenciando a comprar cada vez mais coisas que não precisamos, para impressionar pessoas que nem ligamos para a opinião , apodrecendo nosso cérebro com vídeos, empobrecendo nosso vocabulário, drenando nossa energia…

Enfim, o texto ficou mais dark do que eu gostaria.

Só queria dizer que quero tornar esse lugar especial, erguendo tijolinho a tijolinho do nosso santuário na internet, nosso lugar seguro sem propagandas em excesso, sem te fazer de produto em troca de mais tempo preso aqui.

Seremos como bons amigos trocando e-mails (quem viveu essa época, viveu), falando de assuntos aleatórios e trocando figurinhas sobre as nossas visões de mundo.

Aproveita e me conta aqui, o que você encontrou de mais memoravel na sua galeria ao postar suas lembranças de 2016?

Um beijo e até o proximo post.